2014-05-13

Rádios portáteis (tipo Talk-About) estão esquecidos nas atividades de campo




Prefácio:
Estive recentemente em Piquete/SP para subir o pico dos Marins. Em dado momento da volta uma mulher quebra o tornozelo e se inicia uma saga para conseguir um mísero sinal de celular para pedir ajuda. Apesar de haver muita gente circulando pelos maciços e muita gente no trajeto a Itaguaré, todos dependiam dos celulares.



Por um tempo os Two-Way radios do tipo Talk-About (FRS/GMRS) viraram febre mas sumiram tão rápido quanto surgiram.

A busca dos brasileiros por aparelhos comunicadores com "mais recursos" fizeram esses tipos de rádios, que eram/são bem baratos/funcionais/confiáveis, ficarem mofando em gavetas de sapatos e no lugar vieram os aparelhos de telefonia celular. Porém, sem uma antena celular, esses "super" aparelhos não passam de peso-morto.

Em uma busca básica em um grande site de compras é possível verificar facilmente que um par de radios FRS/GMRS custam cerca de R$150,00 e um smart-fone barato, um pouco mais de R$200,00.

Além disso, quando se pratica atividades/esportes ao ar-livre se percebe que as pessoas sempre investem em algum ponto específico. Alguns investem em equipamentos de alimentação como fogareiros, outros em equipamentos de iluminação como lanternas poderosas, outros em mochilas especiais. Nenhum deles está errado mas quando se trata de segurança não creio que todos ou quase todos deixem isto de lado. Depender de um telefone celular em uma montanha/trilha é como depender de um microondas no meio do Pacífico!

Tudo bem, neste momento muitas pessoas estão bombardeando com a ideia do alcance relativamente curto destes rádios pensando em travessias longas como Petrópolis-Teresópolis.

Todas essas pessoas nunca se utilizaram de rádios de forma massiva como eu já usei. De modo grosseiro e generalizado, o alcance desses rádios é multiplicado pela quantidade de pessoas que há em volta.

Ok, vamos exemplificar isso para os que nunca usaram rádios de comunicação. Ilustrando: suponham que você está na montanha bem no meio do caminho entre a base e o pico. Em dado momento no seu rádio você escuta um pedido de ajuda oriundo lá do pico que se faz repetidamente e não há resposta. O motivo da resposta é porque o acampamento base está fora do alcance mas se você escuta a mensagem você está no alcance. E você está mais perto do acampamento então, consegue usar seu rádio para falar com o acampamento base pois você está na metade do caminho. O procedimento padrão é você usar seu rádio e repetir as palavras de socorro pelo seu rádio afim de atingir o acampamento base.

Percebeu a distância que isso pode chegar se todos os grupos de expedissionistas tivessem ao menos 1 único rádio? Mais que isso, nada mais de SMS que não entregam e ligação que não completa por infindáveis minutos às cegas. Falar com alguém é sempre mais seguro e confortante do que "gritar por socorro" e ninguém escutar.

Além disso, os novos rádios possuem repetidores integrados que fazem esse trabalho de "estender" a mensagem automaticamente sem a necessidade do usuário que está no meio do caminho repetir as palavras de socorro mecanicamente.

E aí... na próxima trip vai levar somente o celular ou aquele rádio que está mofando na gaveta vai junto?



Em tempo: A mulher foi resgatada, fez uma cirurgia e colocou dois pinos no tornozelo.



Glossário:
FRS: Family Radio Service
GMRS: General Mobile Radio Service




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